Ex-secretário e marido da prefeita de Bauru, Renato Purini se mantém em silêncio em depoimento ao MP

Renato Purini se mantém em silêncio em depoimento ao MP O ex-secretário e marido da prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), Renato Purini, optou por permane...

Ex-secretário e marido da prefeita de Bauru, Renato Purini se mantém em silêncio em depoimento ao MP
Ex-secretário e marido da prefeita de Bauru, Renato Purini se mantém em silêncio em depoimento ao MP (Foto: Reprodução)

Renato Purini se mantém em silêncio em depoimento ao MP O ex-secretário e marido da prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), Renato Purini, optou por permanecer em silêncio durante depoimento prestado ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) na tarde desta quinta-feira (22). Purini prestou foi interrogado por videoconferência diretamente da Penitenciária II de Potim (SP), no Vale do Paraíba, onde está preso de forma preventiva e é investigado no âmbito da segunda fase da Operação Cavalo de Troia, deflagrada pelo Gaeco para apurar fraudes na licitação da gestão do lixo na cidade. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Renato Purini opta por se manter em silêncio em depoimento ao MP Reprodução Na gravação, obtida com exclusividade pela TV TEM, o ex-secretário declarou ao promotor Nelson Aparecido Febraio Júnior que não responderia aos questionamentos. Purini estava acompanhado de seis advogados. “De acordo com a orientação da minha equipe técnica que está aqui conosco, eu optei por me manter em silêncio”, afirmou Renato Purini. Ex-secretário Renato Purini presta depoimento por videoconferência ao MP em Bauru Transferência e Habeas Corpus Ele foi preso no dia 16 de outubro durante a segunda fase da Operação Cavalo de Troia, e a ação do Ministério Público cumpriu mandados de busca na residência da chefe do Executivo e na prefeitura. Purini foi transferido para a Penitenciária II de Potim, no Vale do Paraíba, na tarde desta quarta-feira (21). A defesa do ex-secretário apresentou um pedido de liberdade, mas o habeas corpus foi negado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) no dia 17 de outubro. Renato Purini chega à Central de Polícia Judiciária (CPJ) após operação do Gaeco, nesta sexta-feira (16), em Bauru (SP) Luís Negrelli/TV TEM De acordo com o Ministério Público, a investigação apura se Purini adotou condutas para tentar fugir ou se esquivar da ação policial antes de ser preso, como realizar trajetos circulares perto da sede do MP e trocar de telefone celular. A operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apura suspeitas de fraude no projeto de concessão de resíduos sólidos estimado em R$ 5,2 bilhões. A prefeita não é alvo desta fase das investigações. Após o cumprimento do mandado de prisão, Suéllen exonerou o marido do cargo de secretário de Governo. Segundo a decisão do TJ-SP, Purini é investigado por suspeita de integrar organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa de agentes políticos, falsidade documental e fraude a licitações. O ex-secretário de Governo Renato Purini, marido da prefeita de Bauru (SP), Suéllen Rosim (PSD), foi preso na manhã desta sexta-feira (16) durante operação deflagrada pelo Gaeco Redes Sociais/Reprodução LEIA MAIS Gaeco apreende documentos na prefeitura de Bauru em investigação sobre fraude na licitação do lixo Vídeo mostra momento em que secretário e marido da prefeita de Bauru é levado durante operação contra fraudes em licitação Marido da prefeita de Bauru, secretário de Governo é preso durante operação que investiga fraude em licitação Purini era 'figura política' de esquema, diz MP O MP apontou que o ex-secretário atuava como a “figura política” necessária para a organização criminosa garantir a aprovação do projeto de concessão do lixo e atender aos interesses do grupo. Ele também teria recebido pagamentos da empresa Estre Ambiental para articular apoio político e influenciar nas votações na Câmara Municipal. Um documento ao qual a TV TEM teve acesso revela que Purini adotou condutas consideradas suspeitas na madrugada em que o mandado de prisão foi cumprido, quando saiu de casa e circulou de carro por ruas próximas às sedes do Ministério Público e da Prefeitura Municipal. O documento também aponta que o investigado trocou de aparelho celular logo após a deflagração da primeira etapa da operação, realizada no início de setembro. Renato Purini chega algemado à Prefeitura de Bauru durante ação do Gaeco nesta sexta-feira (16) Carlos Torrente/TV TEM Purini foi abordado por equipes policiais em via pública, na Avenida Getúlio Vargas, onde cumpriu mandado de prisão. Os agentes responsáveis pelo cumprimento dos mandados de busca e apreensão identificaram o ex-secretário saindo da residência em que mora com a prefeita e o acompanharam durante o trajeto até realizarem a abordagem. Na sequência, os policiais foram com ele até a residência do casal e, posteriormente, à sede da prefeitura, onde também foram cumpridos mandados de busca e apreensão. A apuração indica que Purini não chegou a entrar em nenhum dos estabelecimentos durante a madrugada, mas o comportamento é investigado sob a suspeita de tentar se antecipar à atuação policial e dificultar a efetividade das medidas. MP indica troca de celular e conduta suspeita de ex-secretário preso em Bauru Ainda conforme o documento do MP, a troca de celular do ex-secretário não significa, isoladamente, uma demonstração de destruição de provas, mas a cronologia da substituição, bem como a natureza das condutas e das comunicações interceptadas, apontou para o órgão de que o caso deve ser investigado. Em nota, a assessoria jurídica da prefeita Suellen Rosim informou que adotou todas as medidas administrativas necessárias, pautando suas decisões pela responsabilidade, transparência e imparcialidade. Ela afirmou ainda que confia no esclarecimento dos fatos em momento oportuno e que seguirá cumprindo suas funções à frente do município. MP investiga se ex-secretário e marido de prefeita de Bauru tentou fugir antes de ser preso em operação contra fraude em licitação TV TEM/Reprodução Mensagens interceptadas Segundo as investigações, mensagens interceptadas indicam que Purini teria recebido pagamentos da empresa Estre Ambiental para articular apoio político e influenciar os bastidores da votação do projeto na Câmara Municipal. De acordo com o Ministério Público, os supostos repasses a Purini eram feitos por meio de um intermediário, numa tentativa de ocultar a origem e a finalidade do dinheiro. A Estre transferia valores ao advogado Marcos Libanore Caldeira sob a justificativa de pagamentos por serviços jurídicos. Depois, segundo a investigação, o advogado repassava as quantias ao ex-secretário. Renato passa o contato do advogado para Cilene Chabuh Bordezan e cobra o fato de ninguém ter falado com o defensor até aquele momento. TV TEM/Reprodução Em uma das conversas interceptadas, em 2025, Purini enviou o contato do advogado à então secretária municipal do Meio Ambiente, Cilene Chabuh Bordezan, e reclamou que ninguém havia procurado o defensor. Cilene encaminhou a mensagem ao CEO da Estre Ambiental, Hamilton Libório Agle, que se identificou como amigo do marido da prefeita e marcou um encontro com o advogado. A investigação identificou que a Estre chegou a emitir uma nota fiscal de R$ 750 mil para o escritório do advogado. Para o Gaeco, há indícios de que o pagamento não foi um episódio isolado, mas parte de uma remuneração recorrente que teria como destinatário final Purini. Em outra conversa, o ex-secretário teria cobrado um valor adicional de R$ 90 mil. Segundo os investigadores, Purini e Cilene usavam expressões relacionadas a honorários advocatícios para disfarçar a natureza dos pagamentos. Nas mensagens encaminhadas aos executivos da empresa, porém, a então secretária indicava que os valores seriam destinados diretamente a Purini. O MP apontou que haveria uma remuneração recorrente a Renato. TV TEM/Reprodução Em algumas ocasiões, Cilene dizia a Hamilton que Purini havia entrado em contato para cobrar os repasses. Ela também mencionava que “a chefa” cobrava informações sobre o andamento do processo. Conversas entre Cilene e Hamilton cobrança de Purini TV TEM/Reprodução Articulação para aprovar projeto na Câmara Em dezembro de 2025, durante a votação do projeto de concessão dos serviços de gestão do lixo, ele e Cilene teriam discutido estratégias para acelerar a aprovação da proposta na Câmara Municipal, durante uma mesma sessão legislativa. Mensagens demonstram que Purini realizava fiscalização do comportamento dos vereadores TV TEM/Reprodução Nas conversas, Purini afirmou que acompanhava de perto a movimentação dos vereadores e disse ter se reunido com nove parlamentares na véspera da votação. Em uma das mensagens, reclamou que precisou segurar dois vereadores no estacionamento da Câmara para pressionar pela aprovação do projeto. Conversas citam a vereadora Estela Almagro TV TEM/Reprodução Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região